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História

Durante as últimas décadas, as áreas de simulação numérica aplicada a processos de engenharia e geologia no país passaram por um grande desenvolvimento. No entanto, com a difusão das técnicas de interface gráfica e visualização científica, a partir de meados da década de 80, os sistemas desenvolvidos nessas áreas tornaram-se obsoletos, não pelo resultado da simulação, mas pela má qualidade da interface com o usuário e pela falta de uma visualização gráfica do processo e de seus resultados. É comum, atualmente, encontrarmos programas de simulação desenvolvidos no Brasil com um excelente domínio da área específica que, nas empresas, estão sendo substituídos por outros, importados, que, embora mais limitados na simulação, possuem uma interface mais agradável. O resgate desses sistemas é fundamental para manter o país como produtor de software nas áreas em que ele tem competência.

Além disso, é importante considerar o processo de internacionalização que nossa economia tem vivenciado nos últimos anos. Esse processo voltou a produção das empresas nacionais não só para o mercado interno mas também para o mercado externo. A participação no mercado internacional de tecnologias inclui, necessariamente, a questão da produção de software. Muitas das tecnologias de que dispomos no campo da engenharia e da geologia podem ser melhor comercializadas se acompanhadas de programas que as controlem ou que implementem um determinado processo de projeto.

A participação da Universidade na solução desses problemas deve dar-se, prioritariamente, através da formação de pessoas capazes de desenvolver ferramentas e sistemas que atendam a essas demandas. O ajuste dos currículos para formar esses profissionais requer o envolvimento de um quadro de professores pesquisadores com experiência no desenvolvimento de métodos e modelos que dêem suporte a essas atividades. O envolvimento com os problemas da sociedade e do meio produtivo dá à pesquisa e à formação de recursos humanos o escopo e a dimensão daquilo que é necessário à sociedade brasileira.

Com base nesta dualidade, o Tecgraf une, de maneira bem equilibrada, os dois compromissos a que se propõe: a produção científica e a tecnológica. A motivação básica da instituição do Laboratório residiu, justamente, na busca da incrementação das relações entre empresas e universidades objetivando a superação dos desafios científicos e tecnológicos enfrentados pelo nosso país, visando produzir vantagens para a sociedade. Entretanto, para que essas relações sejam benéficas para ambas as partes, é necessário que elas estejam fundamentadas nas competências e não nas fraquezas de cada setor. Enquanto a empresa possui objetivos práticos bem definidos e métodos gerenciais eficientes, a universidade se mostra competente quando a aproximação exige conhecimentos profundos em uma ou mais áreas do saber. Criar e difundir idéias é a missão mais importante da universidade, pois, só assim, ela estará apta para produzir recursos humanos mais capazes.

Podemos concluir que, quando a empresa traz para a universidade desafios e objetivos claros, o resultado, geralmente, é a criação de grupos com competência para vencê-los. O Tecgraf (Grupo de Tecnologia em Computação Gráfica) é resultado de uma bem sucedida sincronização de interesses entre o Centro de Pesquisas da PETROBRAS e um grupo inter-disciplinar da PUC-Rio que se propôs a desenvolver projetos de computação gráfica.

 

O Convênio PETROBRAS-PUC

Em 14 de agosto de 1986 foi firmado o Convênio de Cooperação e Intercâmbio Científico e Tecnológico entre a PETROBRAS e a PUC-Rio, representada pela Fundação Padre Leonel Franca, com o objetivo de desenvolver projetos em computação gráfica. Na ocasião, a PETROBRAS foi representada pelo Superintendente do CENPES, José Paulo Silveira, a PUC-Rio por seu Magnífico Reitor, Pe. Laércio Dias de Moura, e a Fundação Padre Leonel Franca por seu Presidente, José Pelúcio Ferreira. O convênio previa diversos aditivos, dentre os quais o de 26 de maio de 1987, que veio a ser o primeiro assinado entre as partes conveniadas. O aditivo tinha como objetivo específico a manutenção e expansão do ambiente de desenvolvimento de aplicações que utilizassem o GKS/puc (Graphical Kernel System).

GKS é um padrão ISO/ANSI/ABNT de sistema gráfico estabelecido em 1985. O GKS/puc foi desenvolvido ao longo de 1986, sendo adotado na PETROBRAS a partir de 1987 de forma não exclusiva. Essa adoção se deu através do CENPES e o convênio ficou conhecido como “Convênio Tecgraf – Tecnologia em Computação Gráfica”. A adoção de uma nova tecnologia raramente é imediata e, neste caso particular, ela teve início, em 1987, com uma demonstração para os chefes de divisão do CENPES mostrando as possibilidades de aplicação da computação gráfica através de um programa-exemplo.

Para permitir a disseminação do uso de programas com interface gráfica, um dos primeiros produtos foi o ETEK4105, emulador de terminal gráfico Tektronix, liberado em 1987, que pode ser executado em PC (na época da liberação do produto, ainda eram comuns os XT’s e 286’s, com placa gráfica CGA ou EGA). O ETEK4105 permitia uma estação gráfica “virtual”, ligada ao mainframe (computador de grande porte), no PC – o que, mesmo hoje, não é algo trivial. Além disso, estavam disponíveis drivers para diversos dispositivos e foram ministrados cursos. A linguagem utilizada era o FORTRAN.

A idéia que sempre permeou o convênio foi a de montar um ambiente para o desenvolvimento de computação gráfica aplicada que fosse independente de dispositivo e que fosse multi-plataforma, isto é, que pudesse usar periféricos de tipos e marcas diferentes e ser executada em diferentes tipos de computadores (PC, estações Unix, Macs, grande porte).

Todo processo de capacitação tecnológica tem no seu início uma fase crítica, em que a dúvida do público externo deve ser plenamente rebatida com a convicção expressa da gerência promotora do projeto e com rápidas demonstrações de competência das equipes que fazem parte do convênio.

Neste sentido, a experiência do Tecgraf registra uma feliz soma de ações iniciadas pelo apoio do Superintendente Geral do CENPES na época, o Dr. José Paulo Silveira, ao projeto do convênio, defendendo sua aprovação e assinatura junto à alta administração da PETROBRAS.

A ação seguinte de gerência do convênio, por parte do CENPES, teve implantação e funcionamento imediatos, que prontamente permitiram ao Tecgraf despreocupar-se de qualquer possibilidade de entraves burocráticos ao trabalho do grupo recém criado. Para tanto, o CENPES contava com:

  • Chefe do Setor de Processamento de Dados do CENPES (SEPROC): Frederico Pereira Laier
  • Supervisor do Grupo Gráfico: Eudes de Cristo Teixeira
  • Coordenadores do Convênio: Enio Emanuel Ramos Russo e Ivan Alkmim Jr.

A equipe inicial do Tecgraf era composta por: Rolf Fisher, Marcelo Maranhão, Carlos Henrique Levy, Marcelo Gattass, Camilo Freire, Hosaná Minervino, Paulo Roma.

Grupo Cenpes

O grupo do Cenpes: Frederico Pereira Laier, Eudes de Cristo Teixeira, Enio Emanuel Ramos Russo e Ivan Alkmim Jr.

 

Tecgraf , equipe inicial

A equipe inicial do Tecgraf: Rolf Fisher, Marcelo Maranhão, Carlos Henrique Levy, Marcelo Gattass, Camilo Freire, Hosaná Minervino, Paulo Roma.